Muitos tomam Loiola por um bobo da corte, um lelé da cuca, um matuto… Vá lá que um desses adjetivos ou mais de um se aplique ao presidente da Câmara de Vereadores de Itabuna, mas isso no momento é o que menos importa.
Loiola, como se diz, jogou m… no ventilador e a sujeira está espirrando em quem até pouco tempo fanfarroneava com status de novo rico pelos restaurantes de Itabuna. De onde vinha tanta pose e, em alguns casos, tanta ostentação explícita de um patrimônio crescente e incompatível com os ganhos oficialmente comprovados?
A suposta abilolação de Loiola, que tem sido apontada como um inconveniente para um ocupante da presidência da Câmara, é de todo conveniente neste momento. Quem, além de um abilolado, teria coragem de quebrar o silêncio para revelar a sujeira institucionalizada e sedimentada na Câmara de Vereadores de Itabuna?
Ora, os loucos ou socialmente indesejáveis são os seres mais propensos a quebrar as regras, chutar o balde, botar a boca no trombone. Só eles se dispõem a dar com a língua nos dentes até mesmo quando o mal que sai da boca também lhes prejudica.
O vereador Ricardo Bacelar fala em “delação premiada”, uma expressão que em direito penal vale para definir a atitude do bandido que, interessado em reduzir a pena pelos próprios delitos, estica o dedo em direção aos comparsas. Teria o nobre Ricardo cometido um ato falho? Freud explica.
Não há ingênuos na Câmara de Vereadores de Itabuna. Há muito quem circula por aquela casa ouve falar em empresas fantasmas, contratos que beneficiam diretor A, esquema que atende o diretor B. Fala-se pelos cantos em gente que desvia dinheiro, apontam-se relações empregatícias espúrias. Tudo à boca pequena, nas implacáveis ondas sonoras da “rádio-peão”.
Agora que o “maluquinho da Câmara” bagunçou o coreto, ainda que sob o risco de também ser atingido pelos escombros, alguns falam em Comissão Especial de Inquérito, uma forma de enquadrar a devassa em termos civilizados. Ou, quem sabe, produzir uma investigação daquelas que começam com muita expectativa e terminam com enorme frustração.
O mesmo Bacelar disse ontem que o momento é de descobrir os culpados e preservar a imagem da Casa. Ora, que imagem, se a face do legislativo municipal a essa altura do campeonato está mais para carranca do São Francisco? Mais fácil está descobrir os culpados, pois todos na Câmara, por ação ou omissão, contribuíram para enlamear aquela que há muito tempo não pode mais ser chamada de Casa do Povo.
fonte pimentanamuqueca
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