Movimentos sociais já recolheram pelo menos 35 mil assinaturas pela estadualização do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães (Hblem), de Itabuna. A unidade médico-hospitalar foi construída pelo governo federal e é administrada pelo município, mas enfrenta uma grave crise que provoca a morte de, em média, 15 pacientes por semana, de acordo com médicos.
Amanhã, dia 10, às 14h, as 35 mil assinaturas serão entregues ao secretário de Saúde, Jorge Solla, numa audiência que também contará com as presenças do secretário de Saúde de Itabuna, Antônio Vieira, e do prefeito Capitão Azevedo (DEM). Os representantes do governo local rejeitam a ideia da forma como foi posta em audiência realizada em agosto.
O Pimenta conversou com o secretário Antônio Vieira. Ele disse esperar que Solla entregue ao município, durante a audiência, uma “proposta [de estadualização] escrita, e não de boca”. O secretário, também vice-prefeito de Itabuna, questiona a eficiência do Estado na gestão de hospitais gerais como os de Ilhéus e Jequié. “Funcionam perfeitamente? Não”.
Vieira faz insinuações e “desconfia” de ação influenciada pelo momento eleitoral no estado. “O Hblem não deve a funcionários, não deve a médicos. Por que ele [Solla} não faz isso com instituições que estão devendo aos funcionários?".
O secretário subiu o tom na entrevista ao repórter Fábio Roberto, do Pimenta. Para ele, o que o estado quer fazer com o Hblem é "safadeza", pois a solução é injetar mais recursos na unidade de saúde municipal, o maior hospital público do sul do estado. E tome canelada do médico ortopedista:
- [A proposta do governo para o ] Hospital de Base é questão de safadeza do Estado, de não “botar” o reforço [financeiro] que tem de ser pra lá.
Estima-se que o hospital precisaria de recursos mensais da ordem de R$ 3 milhões para funcionar adequadamente. Na semana passada, a prefeitura admitiu que apenas o Estado injeta recursos no Hblem: R$ 1,5 milhão, mês.
O município firmou acordos de cooperação técnica para repassar outros R$ 300 mil por mês, mas não respeitou o contrato. Firmou novo convênio, de R$ 200 mil, mas novamente o desrespeita. Azevedo alega falta de dinheiro. A dívida da unidade de saúde é de R$ 30 milhões. Há seis anos, estava em apenas R$ 2,7 milhões.

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