Do jornalista Paixão Barbosa | Política & Cidadania:
Não há dúvida quanto ao favoritismo de Dilma Rousseff neste segundo turno eleitoral, tanto pelo que lhe ficou faltando de votos para chegar aos 51% como pelos registros históricos, que mostram uma tendência quase absoluta de vitória daqueles que saíram liderando no primeiro turno das eleições já realizadas no Brasil. São pouquíssimos os casos de virada e, quando elas aconteceram, é porque no primeiro a disputa foi mais acirrada e a diferença entre os dois primeiros muito pequena, o que não é o caso.
Não quis, de propósito, ficar aqui falando sobra as razões que frustraram o sonho do presidente Lula e do PT de vencerem a eleição ainda no primeiro turno, porque sei, de longas datas, que nunca existe um só motivo para que um candidato não alcance o total de votos que esperava.
Não se pode atribuir apenas à campanha suja que pipocou pela internet nos últimos dias (atribuindo a Dilma declarações a favor do aborto e de menosprezo a Jesus Cristo). Também não se pode responsabilizar somente uma alta abstenção nos Estados nordestinos (isto é desculpa de institutos de pesquisa para tentar encobrir seus erros). Nem tampouco se deve atribuir o resultado somente à chamada “onda verde”, que teria feito Marina Silva crescer além dos limites previstos pelas pesquisas.
Foi um pouco de tudo isto e mais o fato de Marina ter sido o desaguadouro dos insatisfeitos com Dilma e Serra, de parte do eleitorado jovem que estava indeciso até o último instante, de conservadores e religiosos. Enfim, um movimento não-coordenado que, em determinado momento, confluiu para a candidatura do PV, tirando votos de Dilma em todas as regiões e provocando mais uma onda de descrédito nos nossos tão auto-elogiados institutos de pesquisa.
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