A exclusão definitiva da Ponta da Tulha, em Ilhéus, como local para instalação do Complexo Intermodal Porto Sul, foi recebida de forma positiva pela Rede Sul da Bahia Justo e Sustentável e pela Coalizão de ONGs nacionais e estrangeiras que a apóia. A decisão do Governo da Bahia com esta atitude reconhece a relevância socioambiental da Ponta da Tulha, apontada por vários estudos científicos, e acata o parecer do IBAMA pela busca de uma opção locacional.
Essa primeira conquista revela a dimensão dos cuidados que se deve ter e reforça a importância do embasamento técnico para viabilizar a infraestrutura necessária ao crescimento do país de forma sustentável. Por esse motivo, mantém-se o alerta para a necessidade de realizar estudos que identifiquem os impactos à biodiversidade local e às atividades econômicas já em andamento. Para Renato Cunha, Coordenador Executivo do Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá) e coordenador da Rede Sul, a mudança de localidade deve ser analisada com cautela, uma vez que se altera apenas 5 Km do local cogitado anteriormente (mais próximo, inclusive, da área urbana de Ilhéus).
Para ele, "apesar de o governo reconhecer a necessidade de mudança do projeto, conforme recomendação do IBAMA e dos especialistas que estudaram a área deve-se considerar a extensão dos impactos de um complexo dessa dimensão para a região. Temos muitas dúvidas em relação à nova localidade e estamos abertos para discutir junto com a sociedade e com o governo essa possibilidade. Certamente houve um avanço, pois o olhar se voltou para a questão da preservação dos recifes de corais e da biodiversidade”.
Cunha ainda alerta para a complexidade dos estudos a serem realizados. Para ele, deve se fazer uma minuciosa avaliação do impacto que a operação ferroviária causará à Mata Atlântica. "Até o momento, os problemas ligados à infraestrutura da FIOL (pátio de trens, sistema de recepção de vagões e de descarga dos vagões) e à dispersão de pó de minério transportado em vagões abertos não foram adequadamente analisados, nem nos estudos ambientais, conduzidos pela Valec, nem nos do Porto”, diz.
Impactos socioambientais
Na localidade anterior, o Complexo Porto Sul exigiria a construção de um quebra-mar de 1,5 km de extensão por 366 m de largura na base e 27m de altura e uma esteira de 2,3 km, a 10 metros de altura, cortando a costa para transportar o minério de ferro do retroporto até o ponto de chegada dos navios. Todo o processo destruiria a vasta variedade de corais e vida marinha presentes nesta região, por conta também do afundamento médio de cerca de 5 metros do fundo do oceano. Além disso, um total de 2.400 hectares de Mata Atlântica e mangues a apenas 16 km do centro de Ilhéus, na região da Ponta da Tulha, seriam devastados para receber um porto de escoamento do minério de ferro proveniente da BAMIN.
A Coalizão é formada por ONGs nacionais como SOS Mata Atlântica, WWF, Greenpeace, Instituto Socioambiental (ISA), Conservação Internacional do Brasil, Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE), Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, entre outras. A Rede Sul da Bahia Justo e Sustentável conta com a participação de ONGs baianas - Ação Ilhéus, Instituto de Estudos Socioambientais do Sul da Bahia, Grupo de Ambientalistas da Bahia (GAMBÁ) e Instituto Floresta Viva.
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fonte radarnoticias.com
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